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Sobre a USP
Torre do Relógio

Descrição: Compõe-se de duas lâminas paralelas, ligadas por travamento de escadas até o topo, onde se encontra o relógio. A estrutura é em concreto aparente e madeirit plastificado. As duas placas em concreto armado possuem 50 m de altura x 10 m de comprimento cada uma e escada com dezenove patamares. A torre possui uma cabine subterrânea impermeabilizada por causa do espelho d’água existente no local. Na cabine encontram-se o relógio mestre – cérebro do aparelho – e as baterias. Em cima fica o motor, ligado ao relógio central por um cabo elétrico. O mostrador do relógio, de dupla face, possui mais de três metros de diâmetro; o ponteiro de minutos tem 1,50 m e o das horas, 1,30 m. O bloco que marca a hora tem cerca de 0,40 m e o sino 1,00 m de altura.

As placas possuem doze painéis medindo 5,00 m x 5,50 m, com desenhos em baixo e alto-relevo; representando as áreas de ciências e artes integradas, segundo o ideal de Universidade. Acima dos painéis se encontra o relógio com carrilhão, regulado pelo impulso atômico vindo do Instituto Astronômico e Geofísico e periodicamente ajustado de acordo com a hora desse Instituto. O relógio da Torre tem uma precisão-padrão de um centésimo de segundo em vinte e quatro horas, funcionando acoplado a um sino de bronze. Na verdade, existem dois relógios: um com painel à eletricidade e o outro à bateria, com transferência automática de um sistema para o outro, em caso de falta de energia elétrica, graças a um mecanismo que armazena impulsos. O som do sino é obtido com um martelo de borracha.

A concepção do artista inspira-se num esteta italiano significativo, Benedetto Croce. Os doze painéis, dispostos de seis em seis, representam, dentro da concepção citada, o mundo da fantasia e o mundo da realidade.

O painel representando o mundo da fantasia tem a face voltada para o prédio da Antiga Reitoria, e sua face oposta, com o mundo da realidade, para o prédio da Reitoria nova.

O mundo da fantasia é assim representado: a Filosofia – Sofia (sabedoria), ladeada por seus amigos; Artes Plásticas – a Arquitetura, concebida como base para todas as artes plásticas; a Música (com a lira), a Dança, o Teatro (com a máscara); as Ciências Econômicas – estatística e oscilações; as Ciências Sociais – as forças agressoras emergindo do caos em contraposição à força protetora e, no centro, a criança; a Poesia – os namorados com a lua. O mundo da realidade apresenta a Matemática – Pitágoras (curvas de primeiro grau ou parábolas, curvas de segundo grau ou hipérboles e curva de grau superior). Como alusão ao futuro, a quadratura do circulo; as Ciências Geológicas – o arado primitivo – com o carvão esgotado, o petróleo escasso, a força nuclear será inevitável, mas pode também destruir a Terra, e os sobreviventes voltarão a usar o arado; a Física – três tipos de raio – solares, magnéticos e cósmicos; as Ciências Biológicas: pedras, folhas, animais; a Química – garrafas estilizadas; a Astronomia – a lua e as estrelas (Órion, Cruzeiro do Sul e outras).

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Histórico: A idéia de construção da Torre da Universidade remonta aos primeiros projetos para a Cidade Universitária. Muito antes da construção efetiva do campus, no inicio dos anos 50, podiam-se ver fotos de uma maquete da Torre, veiculadas em revistas de arquitetura da época. Em 1953, a convite de Rino Levi, foi confiada a parte escultórica da obra a Elisabeth Nobiling, professora nomeada de Plástica na FAU/USP. Os painéis da Torre Universitária constituíram-se na única obra pública realizada pela artista, que abandonou essa atividade por razões pessoais a partir da segunda metade da década de 50.

O projeto da Torre seria independente do planejamento global da Cidade Universitária. Foi uma proposta da colônia portuguesa em São Paulo, que a doou à Universidade. Nela se pretendia instalar uma réplica dos sinos da Universidade de Coimbra. O projeto original de Rino Levi incluía três sinos, mas o esboço não foi adiante e o sino doado acabou sendo instalado próximo ao edifício da Reitoria.

Segundo o professor da FAU/USP, João Roberto Leme Simões, a sua localização no centro do campus demonstra o desejo de seus idealizadores de que a Torre fosse um marco de orientação física e espiritual da USP. Pretendia-se que o som do carrilhão ditasse o ritmo da vida universitária. Essa idéia do sino que marca as horas de trabalho e de descanso norteia a origem da iniciativa no plano simbólico. Acreditava-se que o sino da Torre (substituído, depois, pelas badaladas do relógio) expressava o ser da Universidade, enquanto instituição dinâmica, evocando, ao mesmo tempo, as suas mais antigas tradições européias. Tinha-se em mente não só a tradicional Universidade de Coimbra, instituição ligada à formação acadêmica de muitos brasileiros, como também outras universidades famosas e tradicionais.

O lançamento da pedra fundamental da Torre ocorreu em uma cerimônia, no dia 23 de janeiro de 1954, como parte das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo. Dessa solenidade participaram, entre outras autoridades, o governador do Estado, Lucas Nogueira Garcez, e o comendador Pedro Monteiro Pereira de Queiroz, representando a Casa de Portugal, intermediária da doação. A Casa de Portugal e a Reitoria assinaram, então, um convênio para a construção da Torre Universitária, havendo também a promessa de se doar uma escultura representando o Padre Manoel da Nóbrega.

O inicio efetivo da construção da Torre só ocorreu por volta de 1972, tendo sido oficialmente inaugurada em 1973, sob a gestão do reitor Miguel Reale.

A praça onde se encontra a Torre possuía forma circular (evocando a idéia do universal, sem direções privilegiadas, e do infinito), com um piso executado na técnica do mosaico português, onde se lê a inscrição, idealizada por Miguel Reale: “No Universo da Cultura o Centro está em toda a parte”. Novas obras de urbanização e paisagismo na área da Praça do Relógio, iniciadas em 1995, e em fase de finalização, alteram o sedenho da praça e do seu entorno.

O relógio original foi furtado em meados da década de 80. Esse fato determinou sua substituição e a adoção de novas medidas de segurança. Em 1987, a Torre passou por obras de limpeza e recuperação, ocasião em que foram também realizadas obras de impermeabilização do lago artificial, que apresentava problemas de vazamento.

Os novos relógios instalados na Torre foram desenhados especialmente para aquele local, constituindo-se nos únicos do gênero em São Paulo. Foram fornecidos pela DIMEP, através de concorrência pública.

Fontes: Boletim… v.6 (1954); MACEDO (1987); MILANI (1982); SIMÕES (1984); TORRE (1976); A TORRE… (1988); In: Comissão de Patrimônio Cultural. “Obras Escultóricas em Espaços Externos da USP” São Paulo. Edusp, 1997.

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